No meio do deserto construíram uma ponte. Quem construiu, ninguém sabe. Ninguém sabe também porque diabos um rio imenso cruza esse maldito deserto seco, até mesmo esquecido por Deus.
O ponto é: quase ninguém atravessa esse deserto e, quando atravessam, não dão a mínima pro rio. Um rio que corre calmo; se é que dá pra dizer que ele corre, já que basicamente não se move. Pode até se pensar que não passa de uma piscina que não se sabe onde começa e onde termina. Quem atravessa esse deserto só quer saber da Ponte. A mais alta de todas as pontes. A tal da Ponte da Libertação.
Eis que com uma dificuldade enorme, ela consegue cruzar o deserto e encontrar a Ponte. Arduamente, ela subiu. Degrau por degrau. E chegou no ponto mais alto da Ponte. Quase não tinha forças. Durante todo o trajeto teve o Sol lhe queimando a cabeça e cada raio como que lhe apontando um dedo. Tinha sede também, mas nem se importou com o rio. Quem precisa de um rio quando se tem A Ponte?
No momento em que o Sol decidiu ir embora, ela apoiou delicamente as mãos no parapeito da Ponte. Parece que de presente de despedida, o Sol pediu que lhe enviassem vento; uma brisa leve que só sopraria os seus cabelos. Ela fechou os olhos e gritou. Gritou o mais alto que pode. Com uma força que nem imaginou que tinha. Ela gritou por minutos. Um grito que abalaria placas tectônicas, quebraria vidros e ecoaria nos ouvidos de todo e qualquer ser humano. Gritou até perder a voz por completo.
"Grite! Grite até não poder mais!", prometia a Ponte. "A Ponte resolve os seus problemas. Grite para a sua catarse!"
Pra ela não funcionou.
O ponto é: quase ninguém atravessa esse deserto e, quando atravessam, não dão a mínima pro rio. Um rio que corre calmo; se é que dá pra dizer que ele corre, já que basicamente não se move. Pode até se pensar que não passa de uma piscina que não se sabe onde começa e onde termina. Quem atravessa esse deserto só quer saber da Ponte. A mais alta de todas as pontes. A tal da Ponte da Libertação.
Eis que com uma dificuldade enorme, ela consegue cruzar o deserto e encontrar a Ponte. Arduamente, ela subiu. Degrau por degrau. E chegou no ponto mais alto da Ponte. Quase não tinha forças. Durante todo o trajeto teve o Sol lhe queimando a cabeça e cada raio como que lhe apontando um dedo. Tinha sede também, mas nem se importou com o rio. Quem precisa de um rio quando se tem A Ponte?
No momento em que o Sol decidiu ir embora, ela apoiou delicamente as mãos no parapeito da Ponte. Parece que de presente de despedida, o Sol pediu que lhe enviassem vento; uma brisa leve que só sopraria os seus cabelos. Ela fechou os olhos e gritou. Gritou o mais alto que pode. Com uma força que nem imaginou que tinha. Ela gritou por minutos. Um grito que abalaria placas tectônicas, quebraria vidros e ecoaria nos ouvidos de todo e qualquer ser humano. Gritou até perder a voz por completo.
"Grite! Grite até não poder mais!", prometia a Ponte. "A Ponte resolve os seus problemas. Grite para a sua catarse!"
Pra ela não funcionou.


